No mesmo capítulo Labour Market Flexibility and Flexicurity, após a introdução onde concluem que “a Flexisegurança é a junção das duas tarefas políticas: a necessidade de incrementar a flexibilidade em simultâneo com o providenciamento da segurança social também necessária e a coesão social”, Paas e Eamets apresentam os 4 aspectos que normalmente são levados em conta pela OCDE na avaliação e estudo sobre a flexibilidade do mercado de trabalho:
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FLEXIBILIDADE NUMERICA EXTERNA, é a capacidade do empregador ajustar o número de trabalhadores às necessidades de produção momentâneas. O quão fácil ou difícil é empregar e despedir trabalhadores. Manifesta-se por sua vez na mobilidade de trabalhadores entre emregadores.
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FLEXIBILIDADE NUMERICA INTERNA, é a capacidade do empregador modificar o número e a distribuição das horas de trabalho sem alteração do número de empregados. A Flexibilidade de horários.
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FLEXIBILIDADE FUNCIONAL, é a possibilidade do empregador em mudar os empregados de uma tarefa para a outra ou de um departamento para outro ou em mudar o “conteúdo” do trabalho dos seus empregados.
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FLEXIBILIDADE SALARIAL, permite aos empregadores alterar os salários como ajuste às mudanças do mercado de trabalho e condições de competitividade. “
As palavras cujo link que apresentei num post anterior como sendo do Ministro do Trabalho dinamarquês fazem agora mais sentido. Falava ele então, no ínicio da página 7 do seu discurso de abertura, “enquanto uns são mais baratos nós simplesmente temos que ser melhores”. Esta frase é de extrema importância aqui, pois são estes aspectos prácticos da Flexibilidade do mercado de trabalho que permitem a adaptação ao ambiente económico envolvente, à competitividade do mercado livre. Mas eu volto a lembrar a minha opinião a este respeito: o nível de productividade dos trabalhadores só pode ser competitivo se estes sentirem que tem uma SEGURANÇA adequada, que os apoie em situação de dificuldade social: que lhes dê uma formação adequada para a alteração necessária, que atribua devidas compensações relativas a condições especiais dos seus horários de trabalho, que lhes permita não se afundarem nas suas economias em caso de desemprego após o ajuste na produção, que lhes dê o devido apoio na doença, que lhes permita trabalhar descansados sem ter que se preocupar sobre a situação dos seus filhos e filhas, dos seus próprios progenitores… E também aí o sr. Ministro do Trabalho da Dinamarca alertava para o facto de que “a política de reforma social pode fácil e rapidamente tornar-se numa política de suícidio social” (pág.12), e enuncia 3 pontos pré-reforma, “3 pontos que reultantes da preparação da base de apoio à política de reforma” – sim. Porque Claus Frederiksen alerta também que “a política de reforma não se apoia em si mesma mas que necessitou na Dinamarca da preparação de uma base para a mesma”. E para que depois não digam que estavam a testar uma nova política só por si, os 3 pontos são::
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1- conseguir chegar a acordos a longo prazo na maiorias das alterações
2- provou que a política de reforma não era política de suicídio pois a confiança dos cidadãos na governação subiu consideralvelmente durante este processo
3- o debate-aberto permitiu que aos dinamarqueses não temerem mais a globalização e cerca de 70% dos dinamarqueses acredita que a globalização beneficía o comércio e indústria do reino, enquanto que na Europa somente 40% dos cidadãos pensam o mesmo. “
Os meus comentários a estes pontos, e a pensar em Portugal são:
1-
1.1- CRIAÇÃO - Chegar a acordos: revela coesão social e expressa o disse o ministro dinamarquês e que expressa a União Europeia para os seus membros. Essencialmente a FLEXISEGURANÇA tem que ser criada.
1.2- MONITORIZAÇÃO - O tempo entre estudos e análises deve ser inferior ao que se vê em relação às novas leis em Portugal. A monitorização do Novo Regime de Protecção no Desemprego é um exemplo dos maus procedimentos neste campo. Na Dinamarca, quer intituições públicas, quer a opinião pública (meios de comunicação social, organizações não governamentais, associações públicas, sindicatos, etc…) estão de constantes olhos abertos e ouvidos preparados e canetas em punho para compreenderem cada caso. Analisando, entrevistando, estudando, discutindo, propondo, contestando e manifestando-se se necessário sobre uma alteração mal feita, um revés da medalha de uma nova lei, uma necessária alteração a fazer, etc. Ver post em que trago o anúncio da falta da Comissão de Acompanhamento do Novo Regime de Protecção no Desemprego..
2-
2.1- DISCUSSÃO – Foi através da discussão que o consenso pôde ser atingido. Na verdade é a essência da vida política na Dinamarca. Primeiro: o debate público e transparência – o que demonstra o grau de moralidade política e social e obriga os cidadãos a terem uma opinião (ne verdade parte do sistema educativo é alvejado à expressão da opinião dos cidadãos). Segundo: Tem em conta existência de um grau de protecção social elevado e tem em conta as alterações que essas mudanças trazem a essa protecção social existente e a alterações necessárias a fazer aí também.
Além do mais a chegada a pré-acordos, acordos das diferentes partes políticas envolvidas no processo antes de uma mudança final permite ao cidadão acreditar nos políticos e no sistema político. O nível demoralidade é determinante neste ponto: NÃO HÁ NA DINAMARCA O MESMO NÚMERO DE NOTÍCIAS E CASOS DE CORRUPÇÃO, ABUSOS E ABUSOS DE PODER QUE VEMOS EM PORTUGAL.
2.2- A CONFIANÇA POLÍTICA. A confiança dos cidadãos na governação dá confiança aos governantes ao mesmo tempo. As decisões são menos “conflituosas”, os parceiros sociais estão envolvidos e chegam a acordo. O processo é gradual, não havendo mudanças drásticas mas antes mudanças graduais devidamente acompanhadas (1.2)
3-
3.1- DEBATE-ABERTO. Informação e debate-aberto sobre a causa que leva à necessidade de alteração das políticas é o ponto de partida. Pontos positivos da globalização e pontos negativos. Compreensão da problemática para a pequena população dinamarquesa. A compreensão dos caminhos para a saída da problemática. A própria cultura dinamarquesa, de união (porque são poucos e vulneráveis se isolados), de patriotismo e “segurança nacional” que mais que segurança militar é essencialmente segurança económica de uma economia privilegiada e que todos querem manter ou se possível melhorar.
3.2- ORGANIZAÇÃO - Claro que é mais fácil organizar e decidir num número inferior de cidadãos. Ao contrário do que disse o ex-Primeiro Ministro Poul Rasmussen em visita a Portugal em Março passado, Portugal e Dinamarca não são nada parecidos. Senão vejamos:
Um grande vizinho? A Dinamarca tem pelo menos 2!! Suécia e Alemanha.
População? A de Portugal é mais que o dobro da Dinamarca e em média tem um salário 3 vezes inferior que o dinamarquês, para não falar em assistência social, emprego e por aí fora…
Falta de matérias primas? Não sei bem o que quer dizer o ex-Chefe de Estado nórdico. Na verdade, como enunciei no post anterior a Dinamarca tem água, petróleo, gás, território agrícola com condições. Não são exactamente as matérias primas a que o ex-Primeiro Ministro preferia, mas estão muito além daquelas que Portugal tem.
Ambos são pequenos territórios??? E a Gronelândia, senhoras e senhores? Com o território da Gronelândia e Ilhas Faroé, a Dinamarca tem 2 220 093 quilómetros quadrados enquanto Portugal se fica pelos 91 982 Km2, insulares incluídos. Querem fazer as contas?? Portugal é, pelo menos 21 vezes inferior em área!
Realmente não sei quem é que o ex-Primeiro Ministro quer enganar???
Francisco Santos