Terça-feira, Maio 27, 2008

NOVA MORADA!

A CONTINUAÇÃO!
O flexisegurança.blog.pt chegou ao fim. Agora podem continuar as leituras em FLEXISEGURANÇA, Em Nome Do Trabalhador. Trata-se um novo blog, a continuação do presente, alojado em blogspot.com o que permite outras funcionalidades, como por exemplo, listagem de links.

INCONTORNÁVEL!
Dos Quês e Porquês, do Povo Português Com Modelo Dinamarquês - que termina com a incontornável realidade da luta da pessoa comum contra a pessoa colectiva, representada no patronato, seja ele Estado ou privado. Incontornável porque é incontornável a realidade que se vive nas ruas. Os gritos, as manifestações, as demonstrações, as acções políticas que trazem a lume as reinvidicações das pessoas, dos trabalhadores, dos direitos, dos salários, da assistência social, da protecção social… Em Portugal e na Dinamarca.

EM NOME DO TRABALHADOR!
FLEXISEGURANÇA, Em Nome Do Trabalhador vai, assim que possível, alargar-se a todo o espaço Europeu. Quer isto dizer que conforme a oportunidade, estas ligações, estes tentáculos das questões sociais lançados pelos orgãos centrais Europeus, acabará ou por não passar disso, um corpo central espalhando os seus tentáculos à sua volta, tal como um polvo. Ou por outro lado, e sendo o optimista que sempre sou, desviando-me da leviandade, acabarão por ser essas linhas, essas cordas, e o seu entrelaçar-se, o seu cruzamento, aquelas que farão a Rede Social Europeia. O que torna também interessante conhecer essa outras realidades/exemplos/situações/questões.

PENSAR A 27.
Se já aqui comecei a abordar temas da flexisegurança nos exemplos das nações do Báltico, isso poderá ser o início de um caminho a seguir - PENSAR A FLEXISEGURANÇA, PENSAR A UE, PENSAR A PROTECÇÃO SOCIAL EM COMUM. PENSAR A 27.

Aproveitem para ver o novo blog AQUI !

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 11:05:59 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Por Uma Flexisegurança Melhor .

Dentro do planeamento de pesquisa de emprego, conjunto entre mim e a minha Conselheira para o Emprego; após o meu despedimento por problema de saúde, encontro-me inscrito numa série de agências de trabalho temporário.  Estas agências de trabalho são chamadas na Dinamarca por Vikarbureau. E encontro-me inscrito nas listas destes vikarbureaus em diversas frentes de pesquisa de emprego. Uns servem empregados e empresas na área administrativa (escritório, atendimento ao público, contabilidade…), outros na área da mão de obra para a indústria (construção, metalurgia, linhas de produção industrial…) para empregados qualificados ou não qualificados. Outras ainda dedicam-se a empresas e empregados na área da pedagogia e assitência social (em lares, infantários, escolas, atl’s…). Todas elas oferecem soluções rápidas de empregabilidade, com alta possibilidade de ocupação de posição de trabalho permanente. Estejam os empregadores e empregados - aqui vikars, de acordo e contentes. Todas elas oferecem a possibilidade de abandono dessas posições assim que uns ou outros, vikar’s ou empresas, cheguem à conclusão que essa não é a melhor solução para aquela posição de trabalho. Todas elas oferecem ao empregado/vikar um ordenado acima da média para as posições similares e permanentes. todas elas à excepção da dedicada ao trabalho na área pedagógica em que me inscrevi, e que faz parte dos serviços da autarquia/Kommune local. Porque aqui a política é a de Ny Løn - Salário Inicial. Então o salário é o estipulado por lei para novos empregados em instituições estatais.

Foi precisamente através de uma destas agências da autarquia, a Pædagog Vikarkorps, que comecei a trabalhar, embora só por alguns dias, num infantário local. Substituía alguém que estava doente. E trabalhei dois dias há 2 semanas e meio dia na semana passada. Esta semana o infantário está fechado. Tal como dezenas ou centenas de outros em toda a Dinamarca. Calcula-se que sejam cerca de 550 mil crianças que ficaram sem infantário durante uma semana. E os seus pais com o encargo adicional de encontrar uma solução temporária para situação. E porquê? Porque os Sindicatos declararam GREVE após a discórdia da última reunião com os líderes governamentais na quarta-feira, 14 de Maio. Os dados de hoje, segundo o The Copenhagen-Post, apontam para as 122 000 crianças afectadas pela greve.

Meio milhão de crianças sem infantário é só a ponta do iceberg.
Na 5ª melhor nação mundial para se ser Mãe, a verdade é que as greves têm vindo a desenrolar-se desde alguns meses atrás como enunciei no post anterior. E no fundo, é uma situação em que o Estado Dinamarquês acaba por usar a força política só por usar, levando a que os Sindicatos tenham que dispender um esforço financeiro extra ao pagar aos grevistas pelos dias de luta. Por outro lado, não tanto no caso da greve desta semana nos infantários, mas no caso das greves do pessoal hospitalar - auxiliares, enfermeiras, médicos… a despesa vai ser maior após o braço de ferro. No fim, o Governo acordou com o aumento na ordem do 13,9% contra as exigências de 15%, por parte das representantes dos trabalhadores. No final os milhares (200.000 !) de cirúrgias não urgentes, canceladas devido às greves, serão só concluídas dentro de aproximadamente 6 meses a 1 ano. Lá para o fim de Março de 2009. Para tal, os médicos e directores de serviços já avisaram que irão fazer o seu melhor mas que isso não evitará a necessidade de trabalharem horas extras. Ora estas horas são extremamente bem pagas aos médicos e outro pessoal. O trabalho, o tempo de espera dos doentes e as despesas financeiras acumularam-se! Concluindo, seria melhor não oferecerem tanta ressitência aos trabalhadores que pedem por mais salários. Salários esses que lhes restituirão a dignidade professional acima de tudo, e também alguma melhoria de qualidade de vida. Mas este pessoal hospitalar não o fez só pelos seus interesses. Fê-lo pela necessidade de se acreditar que existe igualdade no sistema Dinamarquês.

Como também mencionei num post anterior, as profissões de carácter social estão em risco na Dinamarca. Outras profissões são muito mais bem pagas. Ou as mesmas profissões são mais bem pagas e dão mais qualidade de vida (pelo menos mais descanso) e melhores salários através da contratualização FLEXÍVEL das empresas de trabalho temporário/Vikarbureau. Os trabalhadores, sobrecarregados com horas de trabalho em hospitais, lares, infantários, escolas (…) e com salários que se desajustam aos dos outros trabalhadores noutros ramos de actividade, começam a preferir a escolha dos vikarbureau. E os que se seguem, os jovens que procuram uma nova profissão, preferem indubitavelmente outras áreas de trabalho, com melhores possibilidades salariais, com melhores perspectivas de qualidade de vida, com mais dignidade social.

É como uma bola de neve!
Salários mais baixos equivalem a menor de poder de compra. Menor poder de compra equivale a menor dignidade social. Menor dignidade social equivale à preferência por outras áreas de trabalho. Preferência por outras áreas de trabalho equivale a menos “mãos” nas áreas sociais. Menos “mãos*” nas áreas sociais equivale a mais horas de trabalho por quem ainda se dedica a essa área de trabalho. Mais horas de trabalho equivalem a mais desgaste, cansaço e menos tempo para si próprio e para os seus (família e amigos). Menos tempo livre leva à procura de outras escolhas, nomeadamente à escolha de serviços em agências de trabalho temporário. Escolha de serviços em agências de trabalho temporário leva à falta de mais trabalhadores em postos de trabalho do Estado e à “falência” da SEGURANÇA esperada destes serviços do Estado. A “falência” da SEGURANÇA destes serviços do Estado abre o caminho para a
iniciativa privada. A iniciativa privada abre as portas para a desigualdade social! A desigualdade social é contra a Lei Dinamarquesa. A Lei de segurança social Dinamarquesa é a maior causa do orgulho Dinamarquês.

Governo Dinamarquês equivale a ilegalidade!
Por outras palavras, parece que a Dinamarca é regida hoje por um governo que pauta a sua política pela
perda da igualdade social e contra a Lei básica do sistema social Dinamarquês. Contra o orgulho Dinamarquês e a perda da confiança no serviço social.

* O slogan da campanha grevista recente é: Flere Hænder, Mere i Løn. .  - Mais empregados. Mais nos ordenados.




Francisco Dos Santos

Publicado por Francisco Santos em 12:54:53 | Permalink | Sem Comentários »

Quinta-feira, Abril 24, 2008

A LUTA CONTINUA!

 

 

NA DINAMARCA… A LUTA CONTINUA!

Depois de verificar que o Tratado de Lisboa foi aprovado pela maioria parlamentar exigida e retirada a possibilidade de serem os portugueses, pelos meios previstos para tal – o referendo, a decidirem sobre tal mudança (que para alguns inclui mesmo a perda de soberania em favor do valor superior da União Europeia). E que com esta ratificação é ao mesmo tempo aprovada a política da União Europeia para os assuntos sociais, que como antes referi, recomenda o caminho da FLEXISEGURANÇA baseada nas experiências da Dinamarca e da Holanda – procecussores de políticas de trabalho e segurança social que hoje “desembocam” no termo FLEXISEGURANÇA. Contudo, desfazada a idéia principal do desenvolvimento deste conceito tal como referi em ……. A segurança e assistência social primeiro; a política de flexibilidade laboral depois. Ou seja, o erro é já intrinseco no próprio termo FLEXISEGURANÇA. Na verdade, quem inventou o termo (o que também é discutível uma vez que, pelo menos na Dinamarca o termo não tem nenhum sentido sendo apenas o nome que os europeus usam para denominar o carácter da vida social dinamarqueses. O que se passa com os holandeses quando perante o termo, já pode ser outra história…) pecou! Pecou ao errar redondamente com a direcção dada à palavra. O verdadeiro termo, em português, deverá ser flexibilidade-segura. Isto porque o termo FLEXISEGURANÇA por si só implica a flexibilidade DA segurança, e não o sentido que se ter tomar de uma flexibilidade laboral segurada pela modelo social português. Desculpem lá se me engano (ler: vão dar a volta a quem quiserem… a mim não!).


Mas então, dizia, que o modelo continua a evoluir na Dinamarca. Essencialmente devido a ACÇÃO popular por parte dos trabalhadores. Isto é… DEVIDO A LUTA DOS TRABALHADORES: NAS RUAS, NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, NA GREVE!


Primeiro, ainda durante o ano passado, foram as/os trabalhadores dos serviços sociais de assistência. Trabalhadores de creches, lares, instituições estatais (geridas pelas Comunas), e trabalhadores das próprias Comunas que vão a casa dar assistência aos idosos, aos doentes, aos deficientes e inválidos. Começou da pequena vila de Ulfborg, por ventura bem minha conhecida, para toda a região Oeste da Dinamarca até a levar à luta aberta, às manifestações de rua, às greves em todo o território. Estávamos no primeiro semestre de 2007. O que lutavam por? Por melhores salários. Precisavam de mais dinehiro para viver no nível de qualidade de vida que viviam até então? Não!

Então porquê mais dinheiro? Porque foram os trabalhadores os primeiros a exigir que fosse salva a posição do Estado neste campo. Como? Exigindo melhores salários para evitar duas situações: a debandada de empregados até então estatais (das Comunas) para o sector privado em que lhes é pago muito mais salário por cada hora de trabalho; em segundo, para contornar a crescente falta de “mão de obra” nestes serviços públicos derivada a falta de perspectiva de futuro salarial aos olhos dos mais jovens. O GOVERNO DEU O PASSO ATRÁS e aumentou o orçamento par estes serviços, o que levou ao aumento dos salários. A população em geral estava de acordo com as exigências destes trabalhadores públicos.


MAS A LUTA CONTINUA!


Já no decorrer deste ano, se lavantaram as vozes das enfermeiras e pessoal hospitalar. Carregados de horas extras, não vêm saída para o problema da falta de candidatos para estas profissões pela falta de atractivo salarial. A greve é inevitável e a exigência destes trabalhadores é também apoiada pela população dinamarquesa em geral. E recebe o apoio trans-fronteiriço das enfermeiras da Finlândia. 


Mais recentemente, chegou a vez dos pedagogos e professores lançarem os seus gritos de guerra. MAIS DINHEIRO NO BOLSO! Exigem. Como aviso ao Governo os sindicatos alertam para o facto de disporem mais de 4 milhões de corôas (mais de meio milhão de Euros) para pagar aos seus sindicalizados que optarem por perder os seus salários, ou parte dos seus salários, na luta contra a política de “aniquilação” dos serviços públicos primordiais na vida dinamarquesa.


…Contra a política de “aniquilação” dos serviços públicos primordiais na vida dinamarquesa. Sim! Porque são esses serviços públicos “generosos” para a população, que lhes dão segurança no dia a dia e mantêm o país seguro, que orgulham mais os dinamarqueses. Não a sua História ou Cultura. Segundo um estudo recente é o WELFARE que ganha em comparação com a história ou com a cultura da Dinamarca quando se pergunta aos dinamarqueses – Qual é o seu maior motivo de orgulho nacional ? - O sistema de segurança social!
Outros se seguem! E é de esperar. A onda de greves, que vai levando os dinamarqueses a perder a confiança depositada nestes serviços básicos, e por consequência no seu orgulho nacional (por analogia), está longe de acabar. Aliás, é possível que continue bem acesa. Porque desde 1998 que não havia nada igual na Dinamarca. Uma idéia clara do que se passa em inglês. Não deixando passar que segundo uma sondagem (na ligação anterior) 7 em cada 10 dinamarqueses estão de acordo e apoiam as greves!
Por coincidência, faça-se a comparação com o 25 de Abril. E o que se diz na Dinamarca sobre o histórico Tratado da Lisboa. Pobre e triste alusão (bem ao nível da política nacional) do
Primeiro Ministro Português, José Sócrates. Quando a decisão de ratificar o Tratado de Lisboa nos parlamentos está subjacente à necessidade de evitar o claro NÃO de alguns países caso acontecesse o referendo. Eu por mim gostava de o ver a responder a perguntas no Facebook.

Isto tudo enquanto o preço da comida vai subindo sorrateiramente, acompanhando a comida da indústria - o petróleo…

 

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 18:06:35 | Permalink | Sem Comentários »

Sábado, Janeiro 26, 2008

2008

A começar 2008 algumas reticências sobre a flexisegurança. Como tenho andado a fazer algumas transcrições que ocupam demasiado lugar vou continuar encaminhando o leitor para onde encontrar as mais diversas opiniões e informações sobre o tema.

A abrir, e com algumas referências bastante importantes, o artigo da página de internet Solidariedade, assinado por José Leirião,  economista e representante da CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, no Comité Económico e Social Europeu. Relevo para os dados comparativos entre Portugal e Dinamarca ( cmpetitividade, acordos colctivos, segurança no emprego…) a ainda antes mais algumas características sobre o modelo dinamarquês de flexisegurança. Também a opinião de Ricardo Nascimento, advogado e mestre em direito, na página O Advogado - Direito Online no artigo “Flexisegurança ou flexibilizar a insegurança?”. Fála-nos de Ton Wilthagen como o principal ideólogo da flexisegurança e nas idéias do Ministro do Trabalho e Slidariedade Social Vieira da Silva. Referências para a OCDE, Estratégia Europeia para o Emprego, Código do Trabalho, Livre Verde Sobre a Modernização da Legislação do Trabalho, entre outras.

Eu, por mim, começo mesmo aqui. O final do ano de 2007 trouxe-nos algumas conclusões mais sobre a flexisegurança e o mercado de trabalho. Afinal, foi apresentado o Livro Branco das Relações Laborais. Primeiro sinal de perda para os trabalhadores: a redução dos 25 dias de férias possíveis por ano (os 22 dias base previstos pelo Código do Trabalho até mais 3 como prémio  - a tal MAJORAÇÃO ) para um valor inferior, oscilando entre a decisão final do governo em relação aos dias de férias totais e a ainda prevalecente assiduidade do trabalhador. Fica ainda em aberto, uma vez que o Livro Branco para as Relações Laborais não tem um fim vinculativo, mas sim recomendatório. Ainda no capítulo da FLEXIBILIDADE INTERNA inclui o regime de horários de trabalho e descanso e a mobilidade funcional e geográfica. Ainda na FLEXIBILIDADE INTERNA dos trabalhadores, propõe a comissão que só com 3/4 dos trabalhadores em acordo pode ser feita a adaptabilidade do horário de trabalho à realidade vivida momentâneamente pela empresa. Ou que, só os trabalhadores que aceitarem a proposta dos empregadores sejam sujeitos a essa ADAPTABILIDADE DO HORÁRIO se estes forem pelo menos 1/3 da força de trabalho da empresa. Mas em ambos os casos estão excluídos à sua obrigatoriedade ou participação (no primeiro e no segundo caso respectivamente) trabalhadores menores de idade, portadores de deficiência, grávidas, lactantes e puérperas.

Ao contrário do que se espera que traga a FLEXISEGURANÇA ao mercado de trabalho, o L.B.R.L. recomenda que os patrões sejam obrigados a provar a justa causa no despedimento do empregado antes que chegue o processo ao tribunal, no caso de protesto por parte dos empregados despedidos. Isto o que nos explicou o semanário SOL logo no dia da apresentação do Livro Branco para as Relações Laborais, a 20 de Dezembro de 2007.

Estavamos em vésperas de Natal. E como tal, convém lembrar que, e tal como os trabalhadores precários a recibos verdes, na Dinamarca não há subsídio de Natal. Ora contamos cá nós só com 11 meses de trabalho e consequentemente 11 meses de ordenados. Como já disse anteriormente, existe uma espécie de 12º mês de ordenado que é o subsídio de férias. Porém este subsídio é limitado aos descontos efectuados pelo trabalhador durante o ano anterior ao ano em que goza as férias, e só está disponível para o trabalhador a partir do dia 1 de Maio de cada ano. E aqui talvez nem deva eu usar a palavra desconto uma vez que não se trata de um desconto mas sim de uma conta para a qual o trabalhador tem que pagar orbigatóriamente por cada dia de trabalho efectuado. Assim, é mais fácilmente entendido que É O TRABALHADOR NA DINAMARCA QUE PAGA AS SUAS FÉRIAS e não o sistema de segurança social como em Portugal. Mais ainda, NO NATAL, COMO EM QUALQUER FERIADO OFICIAL, O TRABALHADOR TEM DIREITO AO PAGAMENTO DO DIA TAMBÉM ESSE JÁ PAGO DO SEU ORDENADO AO LONGO DOS DIAS DE TRABALHO.

Coisas da FLEXISEGURANÇA que nos levam a dizer, NÃO OBRIGADO. Hoje recebem-se 14 meses de salários em Portugal, para quem tem trabalho com direitos, e na Dinamarca recebem-se somente 11! porquê copiar então?

Francisco Santos

 

Publicado por Francisco Santos em 21:20:40 | Permalink | Sem Comentários »

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

O comentário esclarecedor - Sobre Flexibilidade e Produtividade


Num
post anterior inclui algumas referências aos dados e primeiras conclusões a que chegou o investigador da Universidade de Londres em relação aos resultados da Flexibilidade no Trabalho. Este investigador, o autor de Dismissals for cause: the difference that just eight paragraphs can make - Despedimentos com justa causa: a diferença que oito parágrafos podem fazer, publicado pelo Institute for the Study of Labor, em Bona, apontava alguns resultados deste seu estudo o que se podia prever da implementação de determinadas novas políticas a nível contratual - A FLEXIBILIDADE. Pedro S. Martins volta a lançar o seu comentário para melhor entendermos as envolventes e consequências de determinadas decisões sobre a Flexibilidade, num e-mail pessoal que aqui vou incluir em parte e como forma de toods nós podermos compreender melhor o seu ponto de vista. É que eu continuo um muito leigo nas matérias da economia e finanças, mas menos contudo, graças a pessoas como o próprio investigador que agora transcrevo:

“Caro Francisco Santos (…)

(…) Um comentario ao seu comentario: diz no seu texto que os meus 
resultados indicam que os salarios aumentam 2% enquanto a 
produtividade aumenta muito mais (5% a 10%). Os resultados da 
produtividade sao os que refere, mas o que eu verifico em relacao aos 
salarios e’ uma diminuicao relativa de 2% (embora so nos primeiros 
anos).

A minha explicacao para este resultado e’ que, num contexto de maior 
flexibilidade de despedir, as empresas ganham maior poder negocial, 
pelo menos num periodo inicial, e logo tem maior facilidade em reduzir
 
os aumentos salariais para os trabalhadores que estao na empresa ha 
algum tempo (e, como tal, terao dificuldade em obter empregos 
semelhantes noutras empresas).

No entanto, para novos trabalhadores que entretanto sejam contratados,
 
penso que os resultados (em que estou a trabalhar actualmente) irao 
indicar um aumento dos salarios. Sendo mais facil despedir, o risco 
para as empresas de pagar salarios mais elevados (em termos de ter que
 
continuar a pagar salarios elevados mesmo caso o trabalhador passe a 
ser menos produtivo) e’ menor. Alem disso, a segmentacao entre “bons 
empregos” (contratos permanentes, salarios elevados, regalias sociais)
 
e “maus empregos” (recibos verdes ou contratos a prazo, salarios 
baixos, inexistencia de regalias) tambem deve ficar reduzida.

Melhores cumprimentos

Pedro Martins”

Deixo desde já os meus agradecimentos pelas explicações (e para mais, de borla) e os meus votos de sucesso nas suas investigações cujos resultados estaremos ansiosamente à espera para que possamos escolher, e “ajudar” a escolher as melhores políticas no campo da legislação laboral em Portugal.

Mais uma vez fica aqui a ligação para o blog pessoal de Pedro S. Martins, A Economia Das Pessoas, e um alerta para os alertas que este investigador português também lança.

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 18:41:54 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Das LIÇÕES DO BÁLTICO às CONDIÇÕES e GANCHOS E BISCATES (parte segunda)

 

No mesmo capítulo Labour Market Flexibility and Flexicurity, após a introdução onde concluem que “a Flexisegurança é a junção das duas tarefas políticas: a necessidade de incrementar a flexibilidade em simultâneo com o providenciamento da segurança social também necessária e a coesão social”, Paas e Eamets apresentam os 4 aspectos que normalmente são levados em conta pela OCDE na avaliação e estudo sobre a flexibilidade do mercado de trabalho:

  • FLEXIBILIDADE NUMERICA EXTERNA, é a capacidade do empregador ajustar o número de trabalhadores às necessidades de produção momentâneas. O quão fácil ou difícil é empregar e despedir trabalhadores. Manifesta-se por sua vez na mobilidade de trabalhadores entre emregadores.

  • FLEXIBILIDADE NUMERICA INTERNA, é a capacidade do empregador modificar o número e a distribuição das horas de trabalho sem alteração do número de empregados. A Flexibilidade de horários.

  • FLEXIBILIDADE FUNCIONAL, é a possibilidade do empregador em mudar os empregados de uma tarefa para a outra ou de um departamento para outro ou em mudar o “conteúdo” do trabalho dos seus empregados.

  • FLEXIBILIDADE SALARIAL, permite aos empregadores alterar os salários como ajuste às mudanças do mercado de trabalho e condições de competitividade. “

As palavras cujo link que apresentei num post anterior como sendo do Ministro do Trabalho dinamarquês fazem agora mais sentido. Falava ele então, no ínicio da página 7 do seu discurso de abertura, “enquanto uns são mais baratos nós simplesmente temos que ser melhores”. Esta frase é de extrema importância aqui, pois são estes aspectos prácticos da Flexibilidade do mercado de trabalho que permitem a adaptação ao ambiente económico envolvente, à competitividade do mercado livre. Mas eu volto a lembrar a minha opinião a este respeito: o nível de productividade dos trabalhadores só pode ser competitivo se estes sentirem que tem uma SEGURANÇA adequada, que os apoie em situação de dificuldade social: que lhes dê uma formação adequada para a alteração necessária, que atribua devidas compensações relativas a condições especiais dos seus horários de trabalho, que lhes permita não se afundarem nas suas economias em caso de desemprego após o ajuste na produção, que lhes dê o devido apoio na doença, que lhes permita trabalhar descansados sem ter que se preocupar sobre a situação dos seus filhos e filhas, dos seus próprios progenitores… E também aí o sr. Ministro do Trabalho da Dinamarca alertava para o facto de que “a política de reforma social pode fácil e rapidamente tornar-se numa política de suícidio social” (pág.12), e enuncia 3 pontos pré-reforma, “3 pontos que reultantes da preparação da base de apoio à política de reforma” – sim. Porque Claus Frederiksen alerta também que “a política de reforma não se apoia em si mesma mas que necessitou na Dinamarca da preparação de uma base para a mesma”. E para que depois não digam que estavam a testar uma nova política só por si, os 3 pontos são::

1- conseguir chegar a acordos a longo prazo na maiorias das alterações

2- provou que a política de reforma não era política de suicídio pois a confiança dos cidadãos na governação subiu consideralvelmente durante este processo

3- o debate-aberto permitiu que aos dinamarqueses não temerem mais a globalização e cerca de 70% dos dinamarqueses acredita que a globalização beneficía o comércio e indústria do reino, enquanto que na Europa somente 40% dos cidadãos pensam o mesmo. “

Os meus comentários a estes pontos, e a pensar em Portugal são:

1-

1.1- CRIAÇÃO - Chegar a acordos: revela coesão social e expressa o disse o ministro dinamarquês e que expressa a União Europeia para os seus membros. Essencialmente a FLEXISEGURANÇA tem que ser criada.

1.2- MONITORIZAÇÃO - O tempo entre estudos e análises deve ser inferior ao que se vê em relação às novas leis em Portugal. A monitorização do Novo Regime de Protecção no Desemprego é um exemplo dos maus procedimentos neste campo. Na Dinamarca, quer intituições públicas, quer a opinião pública (meios de comunicação social, organizações não governamentais, associações públicas, sindicatos, etc…) estão de constantes olhos abertos e ouvidos preparados e canetas em punho para compreenderem cada caso. Analisando, entrevistando, estudando, discutindo, propondo, contestando e manifestando-se se necessário sobre uma alteração mal feita, um revés da medalha de uma nova lei, uma necessária alteração a fazer, etc. Ver post em que trago o anúncio da falta da Comissão de Acompanhamento do Novo Regime de Protecção no Desemprego..

2-

2.1- DISCUSSÃO – Foi através da discussão que o consenso pôde ser atingido. Na verdade é a essência da vida política na Dinamarca. Primeiro: o debate público e transparência – o que demonstra o grau de moralidade política e social e obriga os cidadãos a terem uma opinião (ne verdade parte do sistema educativo é alvejado à expressão da opinião dos cidadãos). Segundo: Tem em conta existência de um grau de protecção social elevado e tem em conta as alterações que essas mudanças trazem a essa protecção social existente e a alterações necessárias a fazer aí também.

Além do mais a chegada a pré-acordos, acordos das diferentes partes políticas envolvidas no processo antes de uma mudança final permite ao cidadão acreditar nos políticos e no sistema político. O nível demoralidade é determinante neste ponto: NÃO HÁ NA DINAMARCA O MESMO NÚMERO DE NOTÍCIAS E CASOS DE CORRUPÇÃO, ABUSOS E ABUSOS DE PODER QUE VEMOS EM PORTUGAL.

2.2- A CONFIANÇA POLÍTICA. A confiança dos cidadãos na governação dá confiança aos governantes ao mesmo tempo. As decisões são menos “conflituosas”, os parceiros sociais estão envolvidos e chegam a acordo. O processo é gradual, não havendo mudanças drásticas mas antes mudanças graduais devidamente acompanhadas (1.2)

3-

3.1- DEBATE-ABERTO. Informação e debate-aberto sobre a causa que leva à necessidade de alteração das políticas é o ponto de partida. Pontos positivos da globalização e pontos negativos. Compreensão da problemática para a pequena população dinamarquesa. A compreensão dos caminhos para a saída da problemática. A própria cultura dinamarquesa, de união (porque são poucos e vulneráveis se isolados), de patriotismo e “segurança nacional” que mais que segurança militar é essencialmente segurança económica de uma economia privilegiada e que todos querem manter ou se possível melhorar.

3.2- ORGANIZAÇÃO - Claro que é mais fácil organizar e decidir num número inferior de cidadãos. Ao contrário do que disse o ex-Primeiro Ministro Poul Rasmussen em visita a Portugal em Março passado, Portugal e Dinamarca não são nada parecidos. Senão vejamos:

 Um grande vizinho? A Dinamarca tem pelo menos 2!! Suécia e Alemanha.

População? A de Portugal é mais que o dobro da Dinamarca e em média tem um salário 3 vezes inferior que o dinamarquês, para não falar em assistência social, emprego e por aí fora…

Falta de matérias primas? Não sei bem o que quer dizer o ex-Chefe de Estado nórdico. Na verdade, como enunciei no post anterior  a Dinamarca tem água, petróleo, gás, território agrícola com condições. Não são exactamente as matérias primas a que o ex-Primeiro Ministro preferia, mas estão muito além daquelas que Portugal tem.

Ambos são pequenos territórios??? E a Gronelândia, senhoras e senhores? Com o território da Gronelândia e Ilhas Faroé, a Dinamarca tem 2 220 093 quilómetros quadrados enquanto Portugal se fica pelos 91 982 Km2, insulares incluídos. Querem fazer as contas?? Portugal é, pelo menos 21 vezes inferior em área!

Realmente não sei quem é que o ex-Primeiro Ministro quer enganar???

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 22:30:32 | Permalink | Comentários (1) »

Das LIÇÕES DO BÁLTICO às CONDIÇÕES e GANCHOS E BISCATES (parte primeira [?])

Livros e ler. Haja quem os escreva e quem os leia.

A biblioteca aqui da cidade onde vivo no Noroeste da Jutelândia já me enviou um postal com o pedido de volta o livro que ando a ler. Parece que há alguém lá de onde veio o livro, a Biblioteca Real da Universidade de Copenhaga, que também o quer ler. O livro em causa faz parte dessa pequena pilha de livros e documentos que resolvi estudar para compreender a FLEXISEGURANÇA e o que já se estudou e pensou sobre ela e deixar para lá as histórias de quem quer vender a motocicleta. Já disse que ando de transportes públicos. É a melhor escolha social. Estive à espera deste livro pouco mais de duas semanas. Depois de fazer o pedido pela internet lá recebi o postalinho da biblioteca de Holstebro a informar que estava pronto para entrega. Tive um mês para o ler as não tive muito tempo livre e o que tive foi para descansar os ossos. O livro é:


LABOUR MARKET FLEXIBILITY, FLEXICURITY AND EMPLOYMENT – LESSONS FROM THE BALTIC STATES, de Tiiu Paas e Raul Eamets, 2006, Nova Science Publications, New York


Dizem os autores, Tiiu Paas e Raul Eamets, no Capítulo 3  Labour Market Flexibility and Flexicurity que “entre os vários factores que podem afectar a flexibilidade do mercado de trabalho um com especial importância é o da legislação governamental e leis que vão permitir o enquadramento legal da protecção quer dos empregados quer dos empregadores, ou que pelo menos prepara as condições que devem beneficiar ambas as partes do processo”.

Ao mesmo tempo, continuam, “é inteligente guardar na memória que a desregulamentação não significa que os mercados são totalmente flexíveis”. Tanto Paas e Eamets, 2006; como Brosnan e Walsh, 1996; Ozaki, 1999; Monastiriotis, 2003; acreditam que “a desregulamentação não é a condição nem suficiente, nem necessária para a flexibilização dos mercados de trabalho. Por um lado a flexibilização de um mercado de trabalho pode ser incrementada sem a mudança das leis do trabalho. Por outro lado, a desregulamentação também pode acontecer sem que notáveis alterações sejam visíveis na flexibilidade dos mercados de trabalho. Porém, regulamentação e desregulamentação podem afectar a flexibilidade para ambas as direcções dependendo da capacidade de adaptação do mercado de trabalho às mudanças no ambiente económico.

Uma possível consequência séria da incrementação da flexibilidade de um mercado de trabalho é a insegurança que poderá enfraquecer a coesão social e desencorajar o o melhoramento do capital humano”.

O aviso é claro.
E relembro eu, que esta insegurança não só tem as consequências nefastas enunciadas por Paas e Eamets e os outros autores que eles próprios indicam, mas também leva à insegurança do próprio trabalhador no posto de trabalho, no momento da formação e educação para a vida de trabalho e na situação de desemprego…

Por Thor!
Mas é isso mesmo que se tem vindo a verificar nos últimos 10 ou 20 anos em Portugal
! A confiança social têm vindo a decair, ou pelo menos o nível de confiança do trabalhador no sistema social, do desempregado no processo de re-activação social e re-inserção no mundo do trabalho, do estudante em vias de se iniciar no mundo do trabalho - recordo aqui Prémio Gulbenkian de Ciências Sociais de 2003 atribuído a José Machado Pais. Conclui, mais ou menos como ouvi anunciar na TSF a atribuição do prémio e a mensagem da investigação, que “em Portugal o trabalho é visto pelo jovem como uma aventura”. Com segurança mínima e sem nada que lhe indique que é essa a profissão que seguirá ou quAe é esse o caminho do trabalho o melhor para si e para o futuro. Precariedade e salários muito baixos. E se ainda houverem dúvidas pesquisem o estudo encomendado pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto: A CONDIÇÃO JUVENIL PORTUGUESA NA VIRAGEM DO SÉCULO. Duzentas páginas, ao que parece.
Por outras palavras, a brincar com a flexibilidade dos trabalhadores têm andado todos os governos até hoje que não pautaram a sua política social por uma profunda reforma do sistema social e protecção . A lançar os jovens numa aventura no mundo do trabalho estão aqueles que permitiram o trabalho precário assumir a proporção que assume hoje em Portugal. Estiveram então estes governos anteriores, estes responsáveis políticos e económicos, estes pensadores de políticas sociais a preparar os jovens para a realidade do emigração, tão incerta que é a certeza em Portugal, por certo não será pior emigrar. Ou deixar-se emigrar do sistema social instituido, bom ou mau, e seguir caminhos ilícitos no país que revela muito pouco controlo sobre quase todos os aspectos da vida social.

Flexibilidade está bem, obrigado. FALTA A SEGURANÇA PARA FLEXISEGURANÇA. Só assim conseguirá Portugal alcançar as metas, se alguém os tiver para as propôr conscientemente. Mas como de costume virão os de fora marcar metas para Portugal.

(continua)

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 03:03:55 | Permalink | Sem Comentários »

Sábado, Novembro 24, 2007

Da Globalização para a Flexisegurança?!

 

“ESMAGADOS” PELA FLEXISEGURANÇA?!

 

A Globalização – essa grande mentira mundial, surgiu primeiramente com o Império Português dos Quinhentos - Martin Page, The First Global Village – How Portugal Changed The World, e antes que o Mundo viesse mudar Portugal (o que também não foi mau!). Afinal podia ser também o exemplo português a acabar com ela, nesta sua forma nefasta. O que é seu a seu dono. E apartir daí, acabar com a escravidão que serve para enriquecer as companhias multinacionais e o corporativismo capitalista. Afinal pode-se também dizer que é pela Globalização que os mais horrendos crimes e ofensas ao direitos humanos aconteceram e continuam a ter lugar nos dias de hoje. Quantos africanos foram traficados como mercadorias entre África e Europa, entre África e Américas? Diz-se que no fundo do Oceano Atlântico, a poder ser observado, seria possível identificar a rota seguida pelos navios negreiros que transportavam seres humanos, roubados às suas naturezas, homens, mulheres, crianças, para mercados de escravos espalhados um pouco por todo o lado do hoje chamado Mundo Ocidental, e que eram atirados borda fora por motivos de tumultos, doença, fome, fraqueza…Tal como no filme Amistad. Carregados em navios negreiros tal como representado nas paredes da estação de metro Parque, em Lisboa, dedicada à celebração da Declaração Universal dos Direitos Do Homem. Portugal foi o primeiro país a abolir a escravatura, em 1857. E a proibir o negócio de escravos. E posteriormente a abandonar as colónias de onde durante séculos levou aquilo que não era originalmente seu pouco ou nada deixando em troca. Uma dívida impagável.

O mesmo acontece ainda hoje. São muitos as histórias que nos chegam dos 4 cantos do mundo que relatam situações identicas. Relatos do tráfico de mulheres dos países de Leste, dos Sul Americanos, dos Asiáticos e dos Africanos tendo em vista a escravatura sexual. Só na Europa é calculado pela Organização Intercional para as Migrações o tráfico de 500 000 (meio milhão!!) de seres humanos para alimentar os negócios do sexo e da exploração do trabalho clandestino. Uma grande parte destas pessoas em situação de escravatura. Dos países asiáticos correm e abundam as notícias da exploração (de novo em formas muito próximas da escravatura) de trabalhadores. Quer adultos com mais de 24 horas de trabalho por turno, trabalhando muito além das 50 ou 60 horas semanais, quer da exploração de mão de obra infantil em situações que acabam por passar despercebidas: 
Brasil: Indios trabalham como escravos (ainda…)
Índia: Crianças Escravas - Roupa Destinava-se À GAP KIDS

Arábia Saudita: Crianças Escravas - video BBC
International Economics – Children at work and child labor

Confederação Nacional de Acção Sobre o Trabalho Infantil
India: Multinational Corporations Use Child Labor
El Salvador: Hazardous Child Labor on Sugar Plantations
Portugal: Trabalho Infantil nas artes e espectáculos
Portugal: Trabalho Infantil atinge 47 mil crianças.
No Mundo: 250 milhões, ILO-Organizção Internacional do Trabalho

Campanha MTVExit, lançamento em Portugal
E passam despercebidas perante tal a violência das campanhas de propaganda corporativista que apaga das memórias essas informações.
 e .

A Flexisegurança pode tornar-se mais um meio político para essas formas violentas de tortura psicológica, chantagem emocional, propaganda corporativista desta vez tendo inclusivamente como interlocutores os membros dos Estados, dos Governos, das Assembleias Nacionais, do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia nas nações da União Europeia. Até pelo facto de deixar lacunas no enquadramento legal. Dentro destas duas “molduras” mais um relato sobre portugueses trabalhadores “escravos” na Holanda publicado no Expresso deste fim de semana.

Tal como se anuncia um novo automóvel “híbrido” como solução para o problema da das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, se anuncia um sistema de híbrido capaz de adaptar qualquer economia às realidades da Globalização – a FLEXISEGURANÇA.

A imagem do produto, a idéia, a fazer suscitar o desejo nos cidadãos, até aqui, encontra-se ao nível das mais arrojadas tácticas de propaganda e publicidade: - A Dinamarca, país rico, sem recursos (como li há dias e que é uma profunda mentira – A Dinamarca é ainda um COLONIALISTA, administrando o território da Gronelândia e aos poucos a estabelecer aí “novas colónias”. Um país com bastantes recursos petrolíferos, com a mais desenvolvida agricultura do mundo (na minha opinião), e os recursos naturais para o ser, com condições climatéricas favoráveis a nível de irrigação e mesmo da própria geografia que fez um país bastante plano. Condições essas que a levam a ser uma produtora de carne de qualidade e importante fornecedora de carne para o Reino Unido e Alemanha também. Com uma política de energias renováveis que se pensa já produzir 15% da energia eléctrica consumida no pequeno país a ser proveniente dos moinhos de vento em terra e mar após uma revolução nos anos 70 a nível energético muito definida pelas então acções ditas comunistas de alguns grupos mais conscientes. Um pequeno país que é décimo terceiro maior país da esfera terrestre. Com muita água para vender quando esta se tornar escassa e contaminada como nos vão alertando os cientistas.

Então, dizia eu, petróleo e energias renováveis. Território e água potável. E uma das mais duras leis de imigração na Europa. E um bom sistema de segurança social e flexibillidade do mercado de trabalho.

Um sistema de segurança social que ao entrar numa fase de modernização, EM 1964 COM A COMISSÃO PARA A REFORMA SOCIAL , A QUAL SE RESPONSABILIZOU PELA REFORMA DOS SERVIÇOS SOCIAIS E APOIOS SOCIAIS em particular para aqueles em SITUAÇÃO TEMPORÁRIA DE VIDA DIFÍCIL, CENTROS DE DIA PARA AS CRIANÇAS, ASSISTÊNCIA AOS IDOSOS, INSTITUIÇÕES PARA IDOSOS, INSTITUIÇÕES PARA DEFICIENTES (MOTORES E MENTAIS), E PARA MUITOS OUTROS” Isto ao contrário do que nos diz a Maria José Constâncio na página da Ordem dos Economistas.

A particularidade da FLEXISEGURANÇA está na conjugação das duas vertentes (ver também o post anterior ). Se não tivesse começado por ocorrer esta reforma social e de protecção social daqueles que se encontram “enfraquecidos” na sociedade – A SEGURANÇA - o que se passou na década de 90 não terminaria em FLEXISEGURANÇA mas sim e somente em FLEXIBILIDADE. E poderiamos aqui ir até mais longe no tempo e dizer que já nos anos 50 do século passado… Claro que não podemos comparar com o que se passava em Portugal pois vivia-se em didatura. Mas essa ditadura não terminou já nos anos 70!?!

Voltando à Dinamarca, encontrou esta reforma do sistema social um difícil período de introdução na vida do país pois este foi também atingido pela crise do petróleo dos anos 70. Os ajustes foram necessários até poderem chegar à FLEXISEGURANÇA já nos anos 90, após a “queda do Muro” e o desmoronamento do bloco de leste.

A saber:
Nesse momento, no ínicio dos anos 90 as taxas de desemprego apontavam valores um pouco acima dos 10% da população activa dinamarquesa. A Flexibilidade introduzida através de Lei da Assistência Social, da lei da activação dos cidadãos, como nos diz
Viggo Jonasen em History Of The Welfare State In Denmark obrigou os desempregados (e empregados) a estarem perante um mais efectivo príncipio/lei da activação. Os subsídios de desemprego sofreram uma redução, como em geral todos os subsídios sociais monetários. Isto obrigava essencialmente os jovens ou a seguirem um trabalho menos bem pago ou em definitivo a seguirem uma educação.

Outra das grandes mudanças foi a privatização dos fundos de pensões/reformas, ainda como diz Jonasen, o que aproximou o modelo social dinamarquês dos modelos Bismark da Alemanha e o modelo da Europa Central.  O futuro deste sistema está ainda por se definir. Quer aqui quer em Portugal. Quer nas nações da União Europeia, quer nas economias de mercado abertas de todo o mundo. 

VOLTANDO A PORTUGAL: ESTÃO A METER A CARROÇA À FRENTE DOS BOIS, ao não alterarem profundamente o sistema de SEGURANÇA social primeiro para se poder então jogar com a FLEXIBILIDADE depois.

O DESASTRE NÃO SE AVIZINHA, O DESASTRE JÁ AÍ ESTÁ !!!

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 14:16:33 | Permalink | Comentários (2)

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Onde pára a Segurança. ONDE PÁRA A SEGURANÇA?

Deveras torna-se comum o olhar incrédulo para a os assuntos relacionados com a FLEXISEGURANÇA. A pressa em admitir a necessidade de reforma do Modelo Europeu Social e acordar a Flexisegurança é sem dúvida uma necessidade da conjuntura económica envolvente. Mas alto aí!…

A FLEXISEGURANÇA só funciona com Segurança!

E ainda não há nada feito em Portugal para que se possa admitir a Flexisegurança como movimento modernizador da realidade social existente.

Rapidamente vão começar as campanhas de reforma da Flexibilidade do mercado de trabalho sem haver ainda nada preparado para a Segurança dos trabalhadores no desemprego, no re-ajuste profissional através da formação e educação para uma nova tarefa profissional, na requalificação profissional tendo em vista a rápida re-inserção no mercado de trabalho.

O Desastre Avizinha-se!?

Na primeira pesquisa que fiz hoje sobre o Acordo sobre a Flexisegurança de que tanto se congratulou o Primeiro Ministro José Sócrates, fiquei incrédulo pois a vertente empresarial já se prepara para essa realidade a toda a velociadade. A Global Estratégias lança o primeiro Congresso sobre a Flexisegurança. Mais; estando pouco aberta a todos, como óbvio no mundo do negócio, é apenas para aqueles que pagam a sua presença neste congresso, com parâmetros bastante empresariais(?) custa a participação a quantia de  € 430 a € 475. É questão para dizer que a FLEXISEGURANÇA já está a dar lucro!!

Onde estão as conferências ou seminários preparativos para os representantes dos trabalhadores? Estou em querer que esses, os trabalhadores portugueses já estão a ficar para trás!

Pois então vejam na página da CGTP-IN () verdade nua e crua. A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses Intersindical denuncia o facto de a Comissão de Acompanhamento do Novo Regime de Protecção no Desemprego, devendo ser criada até 3 meses depois a publicação do referido decreto criada em Novembro de 2006 por Decreto de Lei e após só ter ser criada em Maio (pelos vistos também por atenção de CGTP) ainda não tinha reunido até à data do Acordo Europeu sobre a Flexisegurança de 18 de Outubro de 2007. Mais ainda, a CGTP além desta denúncia exigiu há dois dias atrás que seja avaliado o Novo Regime de Protecção no Desemprego - uma das peças chave para o sucesso da Flexisegurança, cujas informações apontam para desempregados sem possibilidade de provarem a sua procura por novos empregos uma vez que as empresas não se sentem na obrigação de atestar a visita de procura de trabalho por parte do desempregado como o documento legal do Novo Regime de Protecção no Desemprego exige sob pena de ver o beneficiário o seu subsídio cancelado ou não atribuído.

Estes erros são inadmissíveis no caminho para a FLEXISEGURANÇA!

Enquanto o
Novo Regime de Protecção no Desemprego vai estando sem monitorização, enquanto a Aprendizagem ao Longo da Vida não evolui desde o ano 2000, enquanto a Comissão de Acompanhamento do Novo Regime de Protecção no Desemprego não reúne, cabe mesmo aos parceiros sociais alertarem, e mais do que isso, se manifestarem contra estas políticas no papel que não passam ainda de charadas para o cidadão comum..

Depois de vermos onde pára a Segurança devemos então perguntar ONDE PÁRA A SEGURANÇA?

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 17:27:52 | Permalink | Sem Comentários »

Terça-feira, Novembro 20, 2007

4 mil e 200 milhões de euros que começam a dar frutos a três anos??

 

Três anos para a productividade começar a compensar o investimento num sistema de FLEXISEGURANÇA estilo nórdico? SÓ? Então venha ele… e o aeroporto de Alcochete!

I

Se antes dizia eu, segundo a Comissão Europeia, que a implementação de um sistema nórdico de FLEXISEGURANÇA custaria quatro mil de duzentos milhões de euros por ano (€ 4 200 000 000,00 – falta algum zero???) agora vem um investigador português em Londres e um jornalista do DN emancipar que os ganhos de tal investimento poderiam começar a ser notados ao fim de três anos na productividade das empresas.

A mim custa-me a acreditar. Mas se não acreditam no que vêem aqui sigam as ligações. Hugo Bordeira no Diário de Notícias de 9 de Novembro de 2007 e, estilo resposta/correção/complemento o próprio autor do estudo, o investigador Pedro S. Martins da Universidade de Londres, reconhece a “volta” dada à questão por parte do jornalista no seu blog Economia Das Pessoas.

Por outro lado o documento de discussão do investigador suscita mesmo discussão ao sabermos que , como evidencia o jornalista, apesar do crescimento da productividade das empresas após o despedimento dos empregados em valores que vão dos 5% aos 10% o crescimento dos salários dos empregados só subiu em média 2%. Quem está a ganhar então?

Enfim… voltas em torno da FLEXISEGURANÇA!

Entretanto a discussão pode ir mais além se considerarmos que a comparação dos 2% ou 3% do PIB dinamarquês gasto na protecção social no desemprego na Dinamarca significa cerca de 30 940 dolares per capita e que em portugal esse PIB é de 18 280 dólares per capita (fonte: globalis ). E que na Dinamarca todos os preços se assemelham aos portugueses excepto os dos serviços que são mais baratos na Dinamarca (a saber, a electricidade e energias, telefone e outras comunicações, água e aquecimento…). O combustível é mais barato, as autoestradas não são pagas, os telefones e internet são mais baratos… etc, etc. Mas há excepções. E algumas delas recaem exactamente no âmbito laboral. A protecção social no desemprego é paga à parte por cada trabalhador. E paga-se bem. Cerca de 50 a 100 euros por mês como de resto já mencionei noutro post anterior.

Mas por enquanto não quero ir senão por onde posso. O que quer dizer que apesar de já ter uma pequena pilha de livros sobre a flexisegurança para estudar (quando tiver tempo) só quero falar de situações práticas. Sim, porque afinal a flexisegurança deve servir para tornar as coisas prácticas e não mais confusas. Podia então seguir aqui numa lista infindável de compras no supermercado que me sairiam mais em conta que num hipermercado português, ou na roupa, proveniente dos mesmos lugares (leia-se aqui China) que em Portugal, e que sai aqui mais barata. As empresas continuam a pagar os ordenados suficientemente estáveis aos trabalhadores e não fecham como em Portugal. E fazem negócio à mesma.

ATENÇÃO, não estou a dizer que os portugueses são preguiçosos ou não querem trabalhar! Estou antes a dizer que se não houverem condições não há por certo motivação!

A formação/educação na Dinamarca está muito adequada à realidade. Normalmente o que acontece é que quando um empregado se adequa ao trabalho e o trabalho se adequa ao empregado são acordadas condições para que o empregado possa encontrar educação e formação específica para o trabalho que desempenha. Os empregadores vêm isso com bons olhos e a ausência do empregado do local de trabalho é tida como um “tem que ser” da própria empresa e da realidade vivida. Para substituir o empregado em formação o Estado dinamarquês oferece aos empregadores a oportunidade de contratarem um novo (des)empregado com apoio substancial do Estado no pagamento do seu salário. Ganha o empregado com mais formação e o empregado que estava desempregado com um novo trabalho, a economia nacional com um record de desemprego situado no 3,4% enquanto a média europeia é de 7,4 (segundo o Ministro do Trabalho dinamarquês). Para não falar nos ganhos da empresa como um trabalhador extra, pago parcialmente pelo Estado. Tal como nos explica o sr. Claus Hjort Frederiksen, Ministro do Emprego da Dinamarca, no seu Discurso de Abertura da Conferência para a Flexisegurança (ver discurso de abertura) de 20 de Abril de 2007. Nesta conferência esteve também presente o Ministro do Trabalho e Solidariedade Social português, o sr. José Vieira da Silva. Além do mais a reforma do ano anterior elevou ao aumento da idade de reforma dos 65 para os 67 anos, apostados em que a formação e educação não é só para os mais novos e empregados de escritório mas para todos, menos jovens e mais velhos para que possam encontrar níveis de formação até que possam trabalhar ou mesmo depois. Agora… querem ver o que diz a página na internet do governo português dedicada à aprendizagem ao longo da vida… espreitem só. Garanto que a consulta será rápida: APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA

Diz-nos ainda o ministro dinamarquês que a quarta parte da população activa na Dinamarca muda de trabalho todos os anos, havendo assim uma grande flexibilidade e mobilidade por parte desses trabalhadores. E diz mais. Diz ainda que esses trabalhadores não sentem medo em efectuar essa mudança uma vez que os benefícios da rede de segurança social lhes garantem que a situação de desemprego não se torne num desastre económico para eles e para as suas famílias.

Continua dizendo que não deve sair da Europa nenhuma resolução de imposição de um MODELO DE FLEXISEGURANÇA para todos ou para alguns uma vez que, tal como explica antes, o modelo dinamarquês não surgiu de um dia para o outro. É antes um resultado de pequenas reformas e ajustes ao longo do tempo que tiveram que efectuar perante as situações que se iam apresentando. E para isso, ressalva, o processo de transposição da FLEXISEGURANÇA para os restantes países comunitários que nele embarquem deve ser um processo entre os parceiros sociais e o diálogo social, acções cuja importância assumiu um papel primordial dando ao modelo dinamarquês de FLEXISEGURANÇA a sua característica especial.

Então, continua dizendo que não há na Dinamarca um ordenado mínimo estipulado por lei, nem requisitos sobre avisos de despedimento. Nem tão pouco interfere o governo na estipulação de horários de trabalho e valor da hora de trabalho decididos entre o patronato e os sindicatos ouu representantes dos trabalhadores.

A minha experiência mostra-me que desde o início de um trabalhador numa empresa o seu percurso de rendimento está definido. Por exemplo: começa por ganhar 119 corôas por hora, ao fim de duas semanas (ou mais, conforme o empregador) pode ganhar o subsídio de pontualidade ou presença no trabalho entre 5 a 10 corôas por hora, ao fim de 3 meses tem um bónus mais por hora ou o próprio salário base aumenta, aos seis meses também, aos 12, aos 18, aos 24, aos 3 anos e por aí fora! Ou por acordo entre patrões e empregado/s.

Torna-se clara a intenção daquele professor que em 2001 me dizia para eu ser mais humano e menos português. É QUE EM PORTUGAL ESTE É O CERNE DA QUESTÃO – O HUMANISMO. Podem até chamar-lhe capitalismo se quiserem. Mas na Dinamarca o capital humano é tanto ou mais importante que o capital material para uma empresa

Francisco Santos

Publicado por Francisco Santos em 23:33:40 | Permalink | Sem Comentários »